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Mensagem do dia

08 outubro 2017

Orgulho de ser nordestina

Dia 08 de outubro, a região nordeste do Brasil,  homenageia uma gente que mesmo sofrida pela seca... pela condição  precária de saúde...habitação...educação, discriminação por ser nordestina, negra, bonita e sensual,  mostra-se valente....trabalhadora, contribuindo muito para o crescimento da nação que escolheu como berço e pátria.

E viva o povo nordestino.
Berço de grandes personalidades quer na literatura, na música, na arte de dar nó em pingo d'água e distribuir felicidades através de sorrisos fartos e contagiantes do moreno de pele queimada de sol, e graciosidade no gingar que só o baiano tem.
E viva minha Bahia.
E baiano não nasce...baiano estreia.

01 outubro 2017

Quando os filhos voam...

Sei que é inevitável e bom que os filhos deixem de ser crianças e abandonem a proteção do ninho.
Eu mesmo sempre os empurrei para fora. Sei que é inevitável que eles voem em todas as direções como andorinhas  adoidadas.
Sei que é inevitável que eles construam seus próprios ninhos e eu fique como o ninho abandonado no alto da palmeira…
Mas, o que eu queria, mesmo, era poder fazê-los de novo dormir no meu colo…

Existem muitos jeitos de voar.  Até mesmo o vôo dos filhos ocorre por etapas. O desmame, os primeiros passos, o primeiro dia na escola, a primeira dormida fora de casa, a primeira viagem…

Desde o nascimento de nossos filhos temos a oportunidade de aprender sobre esse estranho movimento de ir e vir, segurar e soltar, acolher e libertar.
Nem sempre percebemos que esses momentos tão singelos são pequenos ensinamentos sobre o exercício da liberdade.
Mas chega um momento em que a realidade bate à porta e escancara novas verdades difíceis de encarar.

É o grito da independência, a força da vida em movimento, o poder do tempo que tudo transforma.
É quando nos damos conta de que nossos filhos cresceram e apesar de insistirmos em ocupar o lugar de destaque, eles sentem urgência de conquistar o mundo longe de nós.

É chegado então o tempo de recolher nossas asas. Aprender a abraçar à distância, comemorar vitórias das quais não participamos diretamente,  apoiar decisões que caminham para longe. 
Isso é amor.
Muitas vezes, confundimos amor com dependência.
Sentimos erroneamente que se nossos filhos voarem livres não nos amará mais.
Criamos situações desnecessárias para mostrar o quanto somos imprescindíveis.
Fazemos questão de apontar alguma situação que demande um conselho ou uma orientação nossa, porque no fundo o que precisamos é sentir que ainda somos amados.
Muitas vezes confundimos amor com segurança. Por excesso de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos.

Impedimos que eles busquem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos. 
Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que os impede de navegar nas ondas de seu próprio destino.
Muitas vezes confundimos amor com apego.
Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma. Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não cabem em nosso corpo os ventos da mudança.

Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda.
Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.

Aprendo que a vida é feita de constantes mortes cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para uma nova frase.

Aprendo que tudo passa menos o movimento. É nele que podemos pousar nosso descanso e nossa fé, porque ele é eterno.

Aprendo que existe uma criança em mim que ao ver meus filhos crescidos, se assustam por não saber o que fazer. Mas é muito melhor ser livre do que imprescindível.


Aprendo que é preciso ter coragem para voar e deixar voar.
E não há estrada mais bela do que essa. 

Quando os filhos voam...- Por Rubem Alves

27 setembro 2017

Eu acho que não só eu, mas, vez em quando visitamos caixas...baús... em busca por  valores guardados, e a gente sempre tem alguma coisa, não é verdade?  em uma dessas minhas futucanças, achei uma relíquia em papel já amarelado pelo tempo, datado 15 de julho de 1979, um escrito sem autor definido e por curiosidade, eu resolvi verificar quem seria o dono da obra. E lá se vão janeiros....

Pois bem... Surpresa... Seria Vinicius de Morais ou Carlos Drummond de Andrade? Você sabe me dizer?
                  
                                         Procura-se um Amigo
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimento, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.
Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão.Pode já ter sido enganado, 
pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja de todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender 
o imenso vazio dos solitários. 
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, 
que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. 
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, 
não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. 
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado em busca de 
memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando,
 mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência 
de que ainda se vive.

E aí...sabe de quem é?
Amigos é sempre bom e bem vindo. Não é verdade?
É coisa de se precisar sempre.
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